Gestão comercialComo calcular o CAC da sua empresa sem planilha complicada
A fórmula do custo de aquisição de clientes, os erros que fazem o número parecer melhor do que é e como saber se o seu está saudável.
CAC é custo de aquisição de cliente: quanto sua empresa gasta pra conquistar um cliente novo. É uma conta simples que quase todo mundo faz errado, sempre para menos, o que é pior.
A fórmula
CAC = tudo que foi gasto para conquistar clientes ÷ número de clientes novos
Se a empresa gastou R$ 6.000 no mês e fechou 12 clientes novos, o CAC é R$ 500.
O erro não está na divisão. Está no que entra em cada lado.
Os três erros que distorcem o número
1. Contar só a mídia. A verba do Google Ads não é o custo total. Entram também: salário ou comissão de quem vende, honorário da agência, ferramentas de CRM e automação, e o custo do material comercial.
Uma empresa que gasta R$ 3.000 em mídia e paga R$ 4.000 a um vendedor tem custo de aquisição de R$ 7.000, não R$ 3.000.
2. Contar cliente que não veio de aquisição. Indicação de cliente antigo e cliente que voltou sozinho não devem entrar na conta. Se entrarem, o CAC parece ótimo, e você conclui que a mídia funciona quando, na verdade, quem funcionou foi seu cliente antigo.
3. Ignorar o descasamento de tempo. Em B2B o ciclo é longo. O cliente que fechou em julho pode ter vindo do investimento de abril. Comparar gasto e fechamento do mesmo mês distorce nos dois sentidos.
Pra ciclos longos, compare períodos maiores, trimestre em vez de mês.
O CAC sozinho não diz nada
Um CAC de R$ 500 é bom ou ruim? Depende inteiramente de quanto o cliente deixa.
É por isso que ele precisa vir acompanhado do LTV o lucro que o cliente gera ao longo do relacionamento.
LTV = lucro por venda × número de compras que o cliente costuma fazer
Cuidado: lucro, não faturamento. Se a venda é R$ 1.000 e o custo de entregar é R$ 600, o lucro é R$ 400.
A relação que importa
A referência usada no mercado é LTV pelo menos 3 vezes maior que o CAC.
| Relação | Leitura |
|---|---|
| Menor que 1 | Prejuízo: cada cliente custa mais do que dá |
| Entre 1 e 3 | Sobrevive, mas não sobra pra crescer |
| 3 ou mais | Saudável, há margem para reinvestir |
| Acima de 5 | Provavelmente dá pra investir mais e crescer mais rápido |
Um LTV/CAC muito alto não é só notícia boa: costuma indicar que a empresa está deixando crescimento na mesa por investir pouco.
O outro número: tempo de retorno
Além da relação, importa em quantos meses o cliente devolve o que custou.
Uma empresa pode ter LTV/CAC de 4 e ainda assim quebrar, se esse retorno leva 18 meses e o caixa não aguenta. Em serviço recorrente, retorno em até 6 meses costuma ser confortável.
Um exemplo completo
Empresa de serviço recorrente:
- Investimento total de aquisição no trimestre: R$ 30.000
- Clientes novos no período: 40
- CAC = R$ 750
- Lucro por atendimento: R$ 180
- Atendimentos por cliente no primeiro ano: 8
- LTV = R$ 1.440
- LTV/CAC = 1,9 → abaixo do saudável
- Retorno: 750 ÷ 180 ≈ 4,2 atendimentos
Diagnóstico: funciona, mas apertado. Duas saídas, reduzir o CAC ou aumentar o número de compras por cliente. Nesse caso, elevar a recorrência costuma render mais que cortar mídia, porque mexe no numerador do LTV sem cortar entrada.
Comece medindo três coisas
Não precisa de sistema novo:
- Quanto foi gasto em aquisição no último trimestre, incluindo pessoas e ferramentas
- Quantos clientes novos entraram, separando os que vieram por indicação
- Quanto sobra de lucro por venda, depois do custo direto
Com esses três números você já sabe se está ganhando ou perdendo dinheiro em cada cliente conquistado. É mais do que a maioria das empresas sabe.
Se quiser fazer essa conta com os seus dados, fale com a gente, costuma levar uma conversa.